O lado B das Copas: as teorias sobre o problema com Ronaldo na final de 1998

Por Thiago Rocha - iG São Paulo

compartilhe

Tamanho do texto

Convulsão? Jogo vendido? Envenenamento? Traição de Susana Werner? Não faltam teorias para o episódio que marcou a decisão do Mundial vencida pela França de Zidane

Atualmente não há lugar mais próspero em teorias da conspiração do que a internet. Rivalidade entre partidos políticos, teses terroristas, profecias, polêmicas no esporte, artistas dados como mortos que estariam vivos... Tudo se espalha com alguns cliques, e sem qualquer fundamento ou bom senso para atestar a veracidade das informações. Mas a prática de enxergar planos maquiavélicos em tudo já existia em 1998 (bem antes disso, também), quando o acesso à rede mundial de computadores era limitado e a passos de cágado. Não faltam explicações paralelas para o episódio que marcou a final da Copa do Mundo daquele ano, entre Brasil e França, que jogava em casa e venceu por 3 a 0, conquistando assim seu primeiro título.

AP
Em 1998, Ronaldo ficou marcado pela convulsão que teve horas antes da final contra a França


Para quem não se lembra, o Brasil divulgou a escalação titular para a decisão sem Ronaldo. O atacante, artilheiro da seleção no torneio, seria substituído por Edmundo. A primeira justificativa era de uma lesão no tornozelo. Mudou depois para um problema estomacal. A seleção brasileira, treinada por Zagallo, não foi a campo fazer aquecimento, deixando o ambiente ainda mais esquisito. A meia hora do apito inicial, uma nova escalação foi divulgada, com Ronaldo confirmado.

O lado B das Copas: A polemica troca de concentração em 1950

Logo no início  da partida, o atacante dividiu uma bola com o goleiro francês Barthez e, com a trombada, foi ao chão. deixando os colegas de seleção assustados. Em campo, Ronaldo estava moribundo. Parecia com sono, pálido, incapaz. De herói, acabou virando o símbolo de um time apático, batido com facilidade na final do Mundial que consagrou Zidane.

Surgia ali um mistério: o que aconteceu com Ronaldo?

Getty Images
Trombada entre Ronaldo e Barthez na final assustou os jogadores da seleção brasileira

Oficialmente, Ronaldo teve uma crise nervosa antes da final da Copa de 1998. O lateral-esquerdo Roberto Carlos, seu companheiro de quarto, revelou anos depois que o atacante chorou muito antes de passar mal, sentindo-se pressionado pela responsabilidade de ser a principal esperança brasileira na busca por mais um título mundial - na época ele tinha apenas 21 anos. Socorrido ainda no hotel pelos médicos da CBF, ele foi levado a um hospital e passou por exames cardiológicos e neurológicos. Recebeu alta e, mais calmo, seguiu para o estádio, disse que estava bem e pediu a Zagallo para jogar. Deu no que deu. A partir disso, várias teorias, com ou sem fundamento, surgiram.

Há uma corrente que duvida que tenha sido uma "simples" crise nervosa pré-final. Fala-se em ataque epilético, convulsão provocada por seguidas infiltrações de xilocaína para aliviar possíveis dores no joelho, e até em envenenamento provocado por um cozinnheiro francês do hotel onde a delegação se hospedara.

Desafio: Você gosta ou não de ter uma Copa do Mundo no Brasil?

Já outro grupo desconfia que a pressão por disputar uma final de Copa não era o único motivo que levou Ronaldo ao colapso nervoso. O jogador estaria incomodado com os comentários de que sua namorada, a modelo Susana Werner (hoje mulher do goleiro Julio César), estaria tendo um caso na França com o jornalista Pedro Bial. Ela estava hospedada na casa que o atacante alugou para os familiares na Europa, e isso também lhe trazia aborrecimentos, já que seus pais, recém-separados, se queixavam um do outro a todo momento para Ronaldo. É o que dizem.

Mas uma teoria da conspiração que se preze precisa envolver dinheiro, o interesse de grandes corporações, corrupção, farsa. Com isso, veio a "revelação": o Brasil perdeu para a França de propósito. Com dinheiro injetado pela Nike, a CBF embolsou muitos milhões e pagou aos jogadores a premiação que seria dada em caso de título, em troca do silêncio. O esquema garantiria o título mundial aos franceses em casa, e em troca a seleção brasileira teria caminho facilitado ao penta mundial em 2002, além da garantia da Fifia de que o país organizaria uma Copa futuramente.

Série sobre os 100 anos da seleção tem depoimento de carrasco e de ídolos

Veio 2002, Copa no Japão e na Coreia do Sul. Seleção brasileira na final, vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha, com direito a falha do goleiro Oliver Kahn em um dos gols de Ronaldo. Cinco anos depois, a Fifa escolhe o Brasil como sede do Mundial de 2014. Coincidência?

Há quem ache que não. O fato é que a misteriosa derrota para a França na decisão de 1998 gerou até CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito), inflamadas também pelas teorias da conspiração, na Câmara dos Deputados e no Senado. Chamado para depor em uma delas, Ronaldo foi questionado sobre o que levou a seleção brasileira ao fracasso no Estádio Saint-Denis. “Porque a França marcou três gols e o Brasil, nenhum", respondeu.

Talvez tenha sido apenas isso mesmo. Ou não.

Leia tudo sobre: ronaldocopa 1998seleção brasileirazagallozidanebarthez

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas