O lado B das Copas: a história do cachorro que salvou a taça

Por Marcelo Laguna - iG São Paulo

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Antes de ser roubada de dentro da sede da CBF e derretida, a taça Jules Rimet virou manchete ao desaparecer às vésperas da Copa de 1966, na Inglaterra. Sorte que Pickles a encontrou

Símbolo de uma era de ouro do nosso futebol, a taça Jules Rimet - conquistada de maneira definitiva pela seleção brasileira após o tricampeonato mundial na Copa do México, em 1970 - também é protagonista de um vexame indesculpável no currículo futebolístico nacional: em dezembro de 1983, dois homens entraram na sede da CBF e levaram o troféu embora. Duas outras pessoas estavam envolvidas no crime e após a apuração, descobriu-se que eles tinham simplesmente derretido a Copa do Mundo para vender o ouro da qual ela era feita.

Reprodução
Pickles, que achou a taça em 1966, ao lado de seu dono, David Corbett


O que muita gente não se lembra é que este vexame por pouco não aconteceu 17 anos antes, e pior, no país que inventou o futebol. Meses antes do Mundial de 1966, realizado na Inglaterra, o troféu, criado em 1930 pelo artesão fracês Abel Lafleur e encomendado pelo criador da Copa do Mundo e presidente da Fifa, Jules Rimet, desapareceu quando estava exposto no Westminster Central Hall, em Londres.

Com 30 cm de altura e pesando 3,8 kg de ouro maciço, a Jules Rimet cumpria um roteiro semalhante ao que a Taça Fifa está fazendo pelo Brasil, sendo exposta em várias cidades inglesas. O clima no país era de festa total, por receber o mais badalado torneio do futebol mundial. Só que no dia 20 de março de 66, a tensão tomou conta dos ingleses. Por um descuido dos guardas, alguém havia furtado a taça, exposta à visitação pública no Westminster Certral Hall, em Londres.

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Não é preciso ter muita imaginação para descobrir como os dirigentes ingleses se sentiram após o roubo. A quatro meses do Mundial, ficar sem a Jules Rimet era impensável. A própria Scotland Yard foi acionada para achar o troféu, mas menos de 24 horas depois, foi feito um pedido de “resgate”: o ladrão pediu 15 mil libras (cerca de R$ 54,5 mil, em valores atuais) para devolver a taça. Só que ele acabou se dando mal. Três dias após o roubo, a polícia prendeu Edward Betchley como o principal suspeito. Ele negou que tivesse levado o troféu e disse que era apenas o intermediário para receber o dinheiro e não sabia do paradeiro da taça.

Reprodução/www.thefa.com
Pickles recebeu como "recompensa" por ter encontrado a Jules Rimet um fornecimento grátis de ração caninna por um ano

Uma semana se passou e nada da taça ser encontrada. Prato cheio para os tablóides ingleses, que estampavam manchetes alarmistas, publicando o desenrolar das investigações e as pistas desencontradas. A imagem britânicia estava indo pelo ralo com o episódio, para desespero da Rainha Elizabeth.

Quando já se previa o pior, eis que um herói improvável apareceu. David Corbett passeava em uma praça no sul de Londres com o seu cão Pickles, até que o cachorro preto e branco da raça collie se afastou dele e começou a cavar o terreno de um jardim. Ali, embrulhada em um jornal, estava a tão valiosa taça.

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Corbett entrou em contato com a polícia, que em um primeiro momento chegou a acreditar que ele teria sido o responsável pelo roubo. Com tudo esclarecido, restaram as homenagens: enquanto Corbett recebeu uma recompensa de seis mil libras (cerca de R$ 22 mil), enquanto Pickles foi contemplado com um fornecimento grátis de ração canina por um ano, pago por um dos patrocinadores do Mundial. Estava salva a honra da Rainha e, por que não dizer, a própria Copa do Mundo.

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