Messi brilha novamente e Argentina acaba com trauma para avançar na Copa

Por Marcelo Laguna e Pedro Taveira - iG São Paulo |

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Craque do Barcelona fez a jogada que permitiu a Di Maria fazer o gol da vitória sobre a Suíça e assegura a vaga nas quartas de final no Itaquerão

Getty Images/Julian Finney
Di Maria comemora o gol da classificação argentina sobre a Suíça

O trauma de 28 anos da Argentina sem conseguir vencer um adversário europeu com a bola rolando em jogo de mata-mata de Mundiais acabou nesta terça-feira. Graças a o talento de um gênio chamado Lionel Messi. Aos 12 minutos do segundo tempo da prorrogação, o craque do Barcelona iniciou a jogada que acabou nos pés de Di Maria, que até então vinha fazendo uma partida apagada, marcar o gol da vitória sobre a Suíça por 1 a 0, garantindo a vaga nas quartas de final.

Quando já parecia que o jogo iria para os pênaltis, eis que Messi deu uma arrancada impressionante, colocou a bola para a direita, encontrando Di Maria livre para chutar sem chance de defesa para o ótimo goleiro Benaglio. E olha que a Suíça ainda teve uma chance de ouro no último minuto, quando em uma falta na entrada da pequena área, o ótimo meia Shaqiri acabou batendo na barreira. Foi o último lance de um jogo dramático, mais um nesta Copa do Mundo

A tendência que virou a marca registrada nestas oitavas de final da Copa do Mundo voltou a se repetir na Arena Corinthians. Jogos que começam em um ritmo preguiçoso, quase modorrento, e que de repente, como se ligassem um pequeno botão no banco de reservas, as duas equipes imprimiam um ritmo alucinante. Como se fosse um prazer sádico de guardar o melhor para o final.

Argentina à vontade

Como se estivesse jogando no Monumental de Nuñez, a Argentina começou o jogo completamente à vontade no Itaquerão. Uma massa de oito mil argentinos (número de torcedores que tinham ingresso nominal para a partida) ajudava a empurrar a seleção argentina nos primeiros cinco minutos, quando a Suíça praticamente não saia de seu campo.

Mas aos sete minutos, a outra parte do estádio, que apoiava a Suíça (reforçada obviamente pela imensa maioria de brasileir0s) vibrou a primeira vez, quando após uma linda jogada individual de Shaquiri, que deu bom passe para Mehmedi, que explorou a discutida defesa argentina e ganhou escanteio.

Argentinos comemoram o gol no fim que rendeu a classificação às quartas de final. Foto: Getty Images/Julian FinneyDi Maria comemora o gol da classificação argentina. Foto: Getty Images/Julian FinneyDi Maria chuta para marcar o gol da Argentina. Foto: Getty Images/Matthias HangstMessi recebe os cuidados do massagista argentino no intervalo da prorrogação. Foto: Reuters/IVAN ALVARADOO árbitro Jonas Eriksson conversa com Messi e Behrami. Foto: AP/Frank AugsteinOttmar Hitzfeld conversa com seus jogadores antes da bola rolar por mais 30 minutos . Foto: Getty Images/Matthias HangstMessi se refresca antes do início da prorrogação. Foto: Getty Images/Matthias HangstFernandes, da Suíça, recebe amarelo por falta cometida em Di Maria. Foto: Reuters/IVAN ALVARADOMessi arrisca, mas o chute passa sobre o gol de Benaglio. Foto: AP/PAULO WHITAKERBanco argentino demonstra apreensão. Foto: Getty Images/Ronald MartinezBenaglio evita que o placar seja aberto no Itaquerão. Foto: REUTERS/Paulo WhitakerBenaglio defende chute de Rojo. Foto: AP/Manu FernandezMarcado por Mehmedi, Romero faz a defesa. Foto: Getty Images/Jamie SquireArgentinos lamentam chance de gol desperdiçada. Foto: Reuters/IVAN ALVARADORomero, goleiro da Argentina, se prepara para cobrar tiro de meta. Foto: Getty Images/ Ronald MartinezMessi é cercado por jogadores suíços na área adversária. Foto: Getty Images/Matthias HangstAlejandro Sabella, técnico da Argentina, controla a bola na lateral do campo. Foto: Reuters/Kai PfaffenbachDi Maria para na marcação suíça. Foto: Getty Images/Matthias HangstLavezzi marca o suíço Rodriguez. Foto: AP/Frank AugsteinBenaglio, goleiro da Suíça, cai para fazer a defesa. Foto: Reuters/Kai PfaffenbachO meia-atacante Shaqiri conduz a bola no Itaquerão. Foto: Getty Images/Matthias HangstObservado por Messi, Rodriguez estica a perna para fazer o domínio. Foto: Getty Images/Matthias HangstGranit Xhaka tenta desarmar o argentino Di Maria. Foto: Getty Images/Clive RoseLavezzi e Shaqiri brigam pela bola. Foto: Getty Images/Matthias HangstLionel Messi, grande esperança argentina na Copa de 2014. Foto: Getty Images/Ronald MartinezMessi e Shaqiri, craques de Argentina e Suíça. Foto: AP/Victor R. CaivanoArgentinos e suíços se cumprimentam antes da partida válida pelas oitavas de final da Copa de 2014. Foto: Getty ImagesTorcedor com fantasia do ídolo Messi. Foto: Reuters/EDDIE KEOGHArgentinos comparecem em grande número ao Itaquerão. Foto: APTorcedores da Suíça na Arena de Itaquera. Foto: APArgentinos "levam" Messi, o papa e Maradona ao Itaquerão. Foto: Getty ImagesSuíços fazem festa antes da bola rolar. Foto: Getty ImagesTorcedor argentino na Arena de Itaquera. Foto: AP

Enquanto Messi procurava se livrar da forte marcação que o alemão Ottmar Hitzfeld, treinador da Suíça, havia prometido no dia anterior, a maior atração ficava mesmo para uma saudável “guerra” de torcidas nas arquibancadas. Enquanto os argentinos cantavam sem parar, naquele estilo já conhecido de outros jogos, os brasileiros respondiam à altura, gritando “pentacampeão”, em referência à diferença de Copas do Mundo conquistadas pelas duas seleções.

A animação da disputa saudável entre os torcedores não se repetia dentro de campo. Até os 24 minutos, a Suíça, aos poucos, começavam a ganhar a disputa no meio-campo e começavam a incomodar, sempre com Shaqiri, até que aso 27, em nova linda jogada do meia do Bayern de Munique, Xhaka chutou para uma grande defesa de Romero com os pés. No rebote, o lateral Lichtsteiner arriscou de longe, para nova defesa do goleiro argentino.

Os dois lances aparentemente acordaram o time argentino da letargia. Em três minutos (entre 28 e 31) foram criadas três oportunidades claras de gol, a principal delas após uma cobrança de escanteio de Di Maria, que o zagueiro Garay não conseguiu aproveitar de cabeça.

Aos 38, a Suíça teve sua maior chance na primeira etapa. Em uma bola enfiada, Drmic ganhou da defesa e partiu com velocidade em direção a Romero, que bobeou e não saiu do gol. Só que o atacante suíço fez uma bobagem ainda maior e praticamente recuou para as mãos do goleiro argentino.

Duelo de craques

Aos 5 minutos do segundo tempo, Shaqiri provocou o primeiro susto nos argentinos na etapa final, por causa do pouco confiável Romero. Um chute de meia distância obrigou o goleiro argentino a fazer uma defesa em três tempos, quase pegando a bola fora da área.

E se o pequeno suíço (1m69) atormentava a Argentina, o perigo do outro lado atendia pelo nome de Lionel Messi. Sempre que conseguia descobrir um espaço na dura marcação suíça, o craque do Barcelona, com dois ou três toques geniais, colocava algum atacante em condição de levar perigo ao rival.

Só que aos 17min, a Argentina ficou bem perto do gol com Higuaín, que de cabeça, após cruzamento de Rojo, obrigou ao goleiro suíço Benaglio espalmar para escanteio.

E cada vez mais à vontade, Messi tinha liberdade até mesmo para tentar chutar e ameaçar o gol da Suíça, como aos 22 minutos, quando de pé esquerdo pegou forte na entrada da área e levou susto a Benaglio.

Jogo aberto

Milton Trajano
A Suíça chegou perto de complicar a vida da Argentina, mas hermanos ficaram com a vaga

À medida que o empate mostrava que a prorrogação seria inevitável, as duas equipes resolveram acelerar o jogo. E ao tomar a iniciativa, a Argentina levava muito mais perigo, especialmente após uma mudança tática de Sabella, que colocou Di Maria atuando pelo lado esquerdo, onde finalmente começou a render melhor.

Logo após a troca de Lavezzi por Palacio, o atacante da Inter de Milão não aproveitou um ótimo cruzamento de cabeça, tocando longe do gol. E aos 32, novamente Messi levou pânico à Suíça. Ele recebeu uma bola na entrada da área e chutou rasteiro, Benaglio fez uma grande defesa e no rebote, Palacio foi derrubado, em pênalti ignorado pelo árbitro sueco Jonas Eriksson.

O final do tempo normal mostrou apenas a Argentina procurando o jogo, apostando suas fichas no talento absurdo de Messi para fazer uma jogada mágica que acabasse em gol, enquanto a Suíça renunciava ao ataque, preferindo concentrar suas forças na defesa, apostando em decidir sua vida na Copa na prorrogação.

Tensão argentina na prorrogação

A Argentina mantinha a pegada mais ofensiva no começo da prorrogação, praticamente alugando o campo da Suíça, enquanto o time europeu apostava nos contra-ataques.

O medo de ser surpreendida justamente em um destes contra-ataques, além de uma inexplicável afobação da Argentina, acabaram equilibrando o primeiro tempo da prorrogação. A ponto da Suíça sentir-se à vontade até para arriscar jogadas de efeito e trocas de bola no campo da Argentina, para delírio dos torcedores brasileiros que apoiavam os suíços nas arquibancadas.

Na segunda etapa, a Argentina tentou colocar os nervos no lugar e com a bola no chão, voltava a trazer perigo. Foi assim que Di Maria, após receber uma bola do lado esquerdo da área da Suíça, soltou uma bomba que obrigou Benaglio a fazer uma grande defesa, aos três minutos.

FICHA TÉCNICA

ARGENTINA 1 x 0 SUÍÇA

Local: Arena Corinthians, em São Paulo (SP)
Data: 1º de julho de 2014 (terça-feira)
Horário: 13h (de Brasília)
Árbitro: Jonas Eriksson (Suécia)
Auxiliares: Mathias Klasenius e Daniel Warnmark (ambos da Suécia)
Público: 63.255 pessoas

Gol: Di Maria, aos 12 minutos do segundo tempo da prorrogação

Cartões amarelos: Garay, Di Maria e Rojo (Argentina); Xhaka e Fernandes (Suíça)

ARGENTINA: Romero; Zabaleta, Fernandez, Garay e Rojo (Basanta); Fernando Gago (Biglia), Mascherano e Dí Maria; Lavezzi (Palacio), Higuaín e Lionel Messi
Técnico: Alejandro Sabella

SUÍÇA: Benaglio; Lichtsteiner, Schaer, Djourou e Rodriguez; Behrami e Inler; Shaqiri, Xhaka (Fernandes) e Mehmedi (Dzemaili); e Drmic (Seferovic).
Técnico: Ottmar Hitzfeld

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