Alemanha vence final na prorrogação e dá à Argentina seu Maracanazo na Copa

Por Bruno Winckler, Levi Guimarães e Thiago Rocha - enviados iG ao Rio de Janeiro (RJ) | - Atualizada às

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Em um confronto histórico e equilibrado, alemães mostraram mais eficiência e garantiram o quarto título mundial ao bater a seleção argentina por 1 a 0, gol de Götze

No Mundial em que gigantes do futebol como Brasil e Espanha foram humilhados sem piedade por goleadas, Alemanha e Argentina fizeram um confronto de cavalheiros. Duas filosofias diferentes que se confrontaram neste domingo diante de 74.738 espectadores no Maracanã, cuja reforma bilionária não foi capaz de alterar sua majestade. Troca de passes contra defesa forte e contra-ataques. Características tão marcantes das duas escolas que nem os talentos individuais, que não eram poucos, conseguiram ofuscar. Mas um campeão do mundo precisa ser eficiente. Ponto, ou taça, para os alemães.

Veja imagens da final da Copa do Mundo 2014 entre Alemanha e Argentina

Mario Gotze é abraçado pelo companheiros . Foto: Jamie McDonald/Getty ImagesGotze comemora após marcar o gol do título da Alemanha. Foto: Jamie McDonald/Getty ImagesGotze chuta para marcar para a Alemanha. Foto: Jamie McDonald/Getty ImagesSchweinsteiger é atingido pela chuteira de Palacio e sofre um corte no rosto. Foto: Matthias Hangst/Getty ImagesPalacio desperdiça boa chance no começo da prorrogação. Foto: Laurence Griffiths/Getty ImagesPalacio perde a chance de marcar para a Argentina. Foto: Jamie Squire/Getty ImagesMessi finaliza contra o gol alemão. Foto: APSeguranças dominam o invasor. Foto: Fabrizio Bensch/APInvasor tenta contato com o alemão Howedes. Foto: Getty ImagesHomem invade o campo durante a final da Copa de 2014. Foto: Clive Rose/Getty ImagesAguero e Klose disputam a bola dentro da área. Foto: Victor R. Caivano/APSchweinsteiger se protege da marcação argentina. Foto:  Francois Xavier Marit - Pool/Getty ImagesSchurrle discute com o goleiro Romero. Foto: DAMIR SAGOLJ/REUTERS/NewscomO craque Messi vomita no gramado do Maracanã. Foto: AP Photo/Themba HadebeHiguaín recebe atendimento médico após colidir com Neuer. Foto: Robert Cianflone/Getty ImagesNeuer sai do gol e tromba com Higuaín. Foto: Robert Cianflone/Getty ImagesNeuer observa a bola sair pela linha de fundo após finalização perigosa de Messi. Foto: DAVID GRAY/REUTERS/NewscomHummels desarma Messi dentro da área. Foto: AP Photo/Hassan AmmarHowedes, zagueiro da Alemanha, cabeceia na trave da Argentina. Foto: AP Photo/Victor R. CaivanoHowedes quase marca de cabeça para a Alemanha. Foto: LEONHARD FOEGER/REUTERS/NewscomRomero evita gol da Alemanha no Maracanã. Foto: AP Photo/Matthias Schrader Sabella, treinador da Argentina, entrega a bola ao lateral alemão Lahm. Foto: AP Photo/Martin MeissnerDilma, presidente do Brasil, e Angela Merkel, chanceler alemã, conversam durante a partida. Foto: EDDIE KEOGH/REUTERS/NewscomHiguaín marca para a Argentina, mas o gol é invalidado por impedimento. Foto:  Robert Cianflone/Getty ImagesKramer recebe atendimento médico no gramado. Lesionado, alemão deixou o jogo ainda na primeira etapa. Foto: AP Photo/Themba HadebeSeguido por Hummels, Higuaín fica cara a cara com Neuer após recuo equivocado de Kroos, mas chuta para fora. Foto: Julian Finney/Getty ImagesOzil e Zabaleta disputam a bola. Foto: AP Photo/Frank AugsteinNeuer observa a saída da bola pela linha de fundo. Foto: AP Photo/Martin MeissnerToni Kroos conversa com o árbitro Nicola Rizzoli . Foto: Martin Rose/Getty ImagesMarcado por Rojo, Klose tenta controlar a bola. Foto: Robert Cianflone/Getty ImagesMarcado por Garay, Muller tenta o passe. Foto: Jamie Squire/Getty ImagesAlemães conversam antes de cobrança de falta. Foto: Jamie McDonald/Getty ImagesMessi é seguido por Howedes. Foto: Julian Finney/Getty ImagesOs onze titulares da Argentina na final da Copa do Mundo de 2014. Foto: DAVID GRAY/REUTERS/NewscomAlemães posam no gramado do Maracanã. Foto: DAVID GRAY/REUTERS/NewscomEntre as autoridades que acompanharam a final da Copa estavam Dilma Rousseff, Angela Merkel, Joseph Blatter, Vladimir Puttin e Thomas Bach (presidente do COI). Foto: AP Photo/Frank AugsteinA cobiçada taça aguarda o vencedor do duelo no Maracanã. Foto: Clive Rose/Getty ImagesPuyol e Gisele com a taça da Copa do Mundo. Foto: AP Photo/Natacha PisarenkoPuyol e Gisele Bundchen posam com a taça no gramado do Maracanã. Foto: Robert Cianflone/Getty ImagesBeckham posa com os filhos, todos vestindo a camisa da Argentina. Foto: Michael Steele/Getty ImagesLena Gercke, namorada do alemão Khedira, que sentiu lesão no aquecimento e não foi para o jogo. Foto: Martin Rose/Getty ImagesArgentinos homenageiam o ex-jogador Di Stefano, falecido recentemente . Foto: AP Photo/Victor R. CaivanoArgentinos estendem bandeira com os rostos de Maradona, Papa Francisco e Messi, no Maracanã. Foto: AP Photo/Victor R. Caivano


Há 64 anos, o Maracanã, mais lotado e menos moderno, viu a seleção da casa sair frustrada com a derrota na final para o Uruguai. O sonho mais doce dos argentinos, maioria no Rio de Janeiro (no estádio e nas ruas) era repetir o Maracanazo sobre o Brasil. Não foi possível, mas eles agora têm seu próprio Maracanazo. Após empate sem gols no tempo normal, a Alemanha aproveitou a única chance dentro da área que teve na prorrogação para fazer 1 a 0, com Gotze, e conquistar a Copa do Mundo pela quarta vez. Agora faz parte do grupos dos tetracampeões, ao lado da Itália.

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A taça levantada pelo capitão Lahm abrilhanta o trabalho de um país que revolucionou sua forma de revelar jogadores investindo em categorias de base, dez anos após ser eliminado na fase de grupos de uma Eurocopa. Uma seleção formada de um alicerce levantado em 2006, reforçado em 2010 e concluído com êxito em 2014. Ainda teve tempo de, com o 7 a 1 na semifinal, dar uma aula no anfitrião da Copa, que se intitula o país do futebol. A Alemanha de Joachim Low é a primeira seleção europeia a se sagrar campeã mundial nas Américas.

Foi um epílogo emblemático para um Mundial que precisou romper preconceitos e pré-conceitos para ser aceito e se consagrar como uma das mais bem-sucedidas da história pelo que produziu em campo e fora dele. No país do improviso, a infraestrutura funcionou de forma satisfatória. O temor estrangeiro por manifestações violentas deu lugar a sorrisos, fantasias e muita festa pelas 12 cidades-sede. A ideia de que tudo conspirava para um título do Brasil jogando em casa foi sepultado junto com o fantasma da Copa de 1950 após um humilhante 7 a 1. O time de Luiz Felipe Scolari, elogiado pela defesa sólida, se despediu melancolicamente após 14 gols sofridos. Ronaldo, fenomenal em campo, perdeu seu recorde de gols em Mundiais para Klose, que compensa a falta de habilidade com muita eficiência na área.

Apenas aceitem esses fatos.

Jamie McDonald/Getty Images
Gotze chuta para marcar para a Alemanha o gol que deu o quarto título mundial ao país europeu


Sustos

Alemanha e Argentina não trouxeram inovações táticas para a final e mantiveram suas posturas durante a competição. Os europeus trocavam passes, os sul-americanos se fechavam na defesa em busca de contra-ataques. Das sete chances criadas no primeiro tempo, a maioria serviu mais para arrancar o grito de “Uh!” da arquibancada. Mas o time de Sabella foi mais consistente quando partiu para cima do adversário.

Ninguém gosta de tomar sustos, por isso o temor alemão quando, aos 20 minutos, Kroos cabeceou para trás de presente para Higuaín. De frente para Neuer, porém, o atacante chutou torto. O close das câmeras mostrou a indignação de Mascherano com o erro, como quem aceitasse que esse gol perdido poderia fazer falta.

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Nove minutos depois, Messi lançou Lavezzi pela direita. O cruzamento foi certeiro para Higuaín, mas a posição dele era irregular. Em um de seus lampejos antes do intervalo, o camisa 10 argentino entrou na área pela direita e tocou para trás na saída de Neuer, mas Boateng tirou o perigo.

Embora mais consistente na etapa inicial, com 63% de posse de bola, a Alemanha teve quatro de suas chances de gol interrompidas por conta de impedimento. O técnico Joachim Low ainda teve de fazer uma troca forçada. Kramer, que de última hora substituiu Khedira (problema na panturrilha) no meio de campo, saiu aos 30 minutos desnorteado após uma trombada com Garay.

Reprodução
Alemanha 1 x0 Argentina - Deus é justo :)


Passou perto...

Mal saiu do vestiário e a Argentina, que trocou Lavezzi por Aguero no ataque, voltou a ter a sensação de que o gol perdido poderia fazer falta, justamente com Messi, que encontrou mais espaço para se movimentar e pelo esquerdo invadiu a área para bater cruzado, raspando a trave esquerda de Neuer.

Espaço como esse encontrado por Messi para marcar não apareceu com tanta frequência nesta final. A Argentina encontrava dificuldade para passar pela defesa adversária mesmo com dois homens de mais presença na área. A Alemanha abusava dos toques e não arriscava chutes. Um lance ilustra bem essa situação. Aos 25 minutos, uma troca de passes entre a seleção europeia deixou Schurrle dentro da área, mas em vez de arrematar o alemão tentou um toque a mais na bola, que ficou nas mãos de Romero.

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Logo depois, Messi chamou para si e tentou em sua jogada clássica, buscando o espaço para o arremate de esquerda, mas errou o alvo. Aos 35, foi a vez de Kroos chutar fraco e para fora após ter caminho livre. Gols que poderiam fazer falta...

Apenas aceitaram

Antes do fim do tempo normal em 0 a 0, as duas seleções fizeram substituições já pensando na prorrogação. Klose, maior artilheiro da história das Copas (16 gols) deixou o comando de ataque para a entrada de Gotze. A Argentina sacou Enzo Perez e reforçou o meio de campo com três volantes ao colocar Gago. Troca de passes x contra-ataque, mais do que nunca.

Mas aí bate aquela sensação outra vez, agora com Palacio, que tentou dar um chapéu em Neuer em vez de concluir no gol e errou. Poderia fazer falta.

Quem não faz...

E fez falta. Nem Mascherano, que se indignou com a primeira chance perdida pela Argentina ainda no início, poderia esperar golpe tão cruel. Schurrle avançou pela esquerda, deixou três marcadores para trás e achou Gotze na área. Ele bateu de esquerda e venceu Romero, para alucinar os alemães e calar os argentinos no Maracanã.

A Argentina ainda teve uma última chance, com Messi. A reação após a cobrança de falta, por cima da meta de Neuer, resume sua atuação no tempo extra: apatia e cabeça baixa.

FICHA TÉCNICA
ALEMANHA 1 X 0 ARGENTINA

Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 13 de julho de 2014, domingo
Árbitro: Nicola Rizzoli (Itália)
Assistentes: Renato Faverani e Andrea Stefani (ambos da Itália)
Cartões amarelos: Schweinsteiger, Howedes, Mascherano, Aguero
Gol: Gotze, aos 8 minutos do segundo tempo da prorrogação

ALEMANHA: Neuer, Lahm, Boateng, Hummels e Howedes; Kramer (Schurrle), Schweinsteiger, Kroos e Ozil (Mertsacker); Muller e Klose (Gotze)
Técnico: Joachim Low

ARGENTINA: Romero, Zabaleta, Demichelis, Garay e Rojo; Mascherano, Biglia e Enzo Perez (Gago); Lavezzi (Aguero), Messi e Higuaín (Palacio)
Técnico: Alejandro Sabella

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