Com alguns deslizes, Brasil cala pessimistas e organiza boa Copa do Mundo

Por iG São Paulo |

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Bom funcionamento de aeroportos, transporte público, telecomunicações contrastam com falhas de segurança, assim como filas e falta de comidas dentro dos estádios

Pode-se dizer que a expressão “Imagina na Copa”, usada como projeção pessimista da organização da Copa do Mundo de 2014, virou do avesso. Após 31 dias de jogos, mesmo com alguns deslizes, o pessimismo deu lugar ao sentimento de dever cumprido. Aeroportos, segurança, mobilidade urbana, telecomunicações e os estádios contrariaram as expectativas e, de forma geral, agradaram Fifa, COL (Comitê Organizador Local), governo e torcedores.

Relembre como foi a Copa do Mundo 2014 na tabela do iG Esporte

Getty Images/Buda Mendes
Fogos de artifício explodem na cobertura do estádio do Maracanã, marcando o fim da Copa do Mundo de 2014


Prova de que as coisas correram melhor do que o esperado foi a nota atribuída por Joseph Blatter, o antes apreensivo presidente da Fifa. "Eu estive calculando durante a última noite. De um total de 10, chegamos a 9,25. Nós melhoramos, o Brasil melhorou desde a África do Sul, mas a perfeição na existe", afirmou o dirigente, em entrevista coletiva realizada nesta última segunda-feira.

Entre os aspectos negativos destacam-se justamente atribuições da Fifa, e não do Brasil. Como a comida dos estádios, que em diversos momentos acabou antes da hora, além das longas filas, tanto para os bares e restaurantes quanto para entrar nos estádios. Os gramados, prejudicados pela entrega atrasada dos estádios, também incomodaram algumas equipes, e isso entra na conta do país-sede.

Bem como o esquema de segurança, que foi deficiente e permitiu, por exemplo, a invasão de torcedores chilenos ao Maracanã. O único incidente, embora grave foi a queda do viaduto Guararapes, em Belo Horizonte, uma das obras inacabadas para a Copa do Mundo. Duas pessoas morreram.

Aeroportos

Mesmo que alguns aeroportos permaneçam com obras em seus entornos. Delegações e torcedores brasileiros e estrangeiros não tiveram grandes problemas para transitar pelas 12 sedes brasileiras durante a Copa do Mundo.

Getty Images/Mario Tama
Torcedores mexicanos aguardam para embarcar do Rio de Janeiro com destino à Fortaleza: tráfego aéro funcionou sem problemas durante a Copa


Segundo a SAC (Secretaria de Aviação Civil), 10,6 milhões de passageiros passaram pelos 20 aeroportos do Brasil localizados nas sedes até a terceira semana do mundial. Na média das três primeiras semanas, 6,9% dos voos tiveram atrasos iguais ou superiores a 30 minutos e 8,7 foram cancelados, um número pequeno, segundo a entidade.

Segurança

Nas imediações dos estádios, torcedores relataram furtos, principalmente em grandes aglomerações, como saídas de estações de trens e metrôs. Do lado de dentro, pequenas brigas foram rapidamente apartadas pelos agentes de segurança dos estádios.

Getty Images
Torcedores do Chile invadiram o setor de imprensa do estádio do Maracanã antes do jogo contra a Espanha


Porém, o grande problema ocorrido no quesito segurança durante a Copa aconteceu nas dependências do Maracanã. Após uma pequena invasão de argentinos antes do jogo diante da Bósnia, centenas de chilenos invadiram o estádio e causaram tumulto na área de imprensa antes do jogo entre Espanha e Chile. Alguns torcedores também invadiram os gramados durante os jogos, mas foram rapidamente tirados pelos agentes de segurança. As câmeras da Fifa sempre evitaram mostrar os intrusos.

Mobilidade Urbana

O transporte dos torcedores rumo aos estádios funcionou bem e não colecionou grandes críticas. Em todas as sedes, houve o incentivo ao uso do transporte público, tanto que as vias de acesso de veículos aos estádios foram fechadas.

Em São Paulo, o “Expresso da Copa” foi elogiado e os fãs chegavam rapidamente à Arena Corinthians. Os torcedores de Curitiba usufruíram do BRT articulado, considerado modelo de transporte no país, para chegar até a Arena da Baixada. Outras sedes tiveram a criação de novas linhas de ônibus para facilitar a chegada dos fãs.

Getty Images
Metrô de São Paulo e a demanda de torcedores a caminho da Arena Corinthians: sistema de transporte público funcionou em boa parte das cidades


O trânsito em cidades como Salvador, Manaus e Porto Alegre ficou congestionado e parte dos torcedores entraram nos estádios já com o andamento dos jogos. O VLT de Fortaleza e Cuiabá não ficaram prontos a tempo da Copa.

Telecomunicações

Ponto preocupante antes do mundial, o serviço de telecomunicações atendeu bem à demanda dentro dos estádios e os torcedores conseguiram usar seus aparelhos celulares de forma satisfatória.

Segundo o Sinditelebrasil (Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal), foram enviadas 38,5 milhões de fotos diretamente dos estádios durante os primeiros 56 jogos da Copa. Além disso, foram feitas 3,3 milhões de ligações telefônicas neste período. O cálculo foi baseado em fotos de tamanho médio de 0,55 MB, considerando o que foi enviado pelas redes de telefonia móvel e Wi-Fi instaladas pelas prestadoras nos estádios.

Mesmo com o grande número de fotos e ligações, a internet apresenta certa instabilidade ao longo das partidas, o que atrapalha o trabalho dos veículos de imprensa. Porém, é uma situação comum em grandes eventos que disponibilizam internet Wi-Fi.

Protestos perdem força

Constantes e com grande adesão durante a Copa das Confederações de 2013, os protestos contra a Copa perderam força durante o Mundial. O mais expressivo dele ocorreu no dia da abertura, 12 de junho, em São Paulo. Na ocasião, duas jornalistas da CNN ficaram feridas após confronto entre manifestantes e polícia militar.

Reuters
Confronto entre manifestantes e a Tropa de Choque, na zona leste de São Paulo, no dia da abertura da Copa: um dos poucos protestos que chamaram a atenção durante o Mundial


No dia 15, data da primeira partida no Maracanã, uma manifestação nas ruas próximas ao estádio do Rio de Janeiro, com cerca de 150 pessoas, foi dispersada por PMs com bombas de gás lacrimogênio e spray de pimenta. Mais protestos com menos força foram vistos em outras sedes brasileiras, mas nada atrapalhou o andamento da Copa do Mundo.

Estádios

Antes da Copa, existia um receio sobre a conclusão dos estádios. Alguns atrasaram bastante o término, principalmente a Arena Corinthians, em São Paulo, e a Arena da Baixada, em Curitiba.

Outros até começaram o mundial com obras em seus entornos, mas isso não atrapalhou o tráfego de torcedores por suas imediações. Áreas provisórias e ‘gambiarras’ nos estádios localizados em São Paulo e Porto Alegre também foram vistsa.

Marcelo Ferrelli/ Gazeta Press
O Itaquerão ficou pronto às vésperas da abertura da Copa do Mundo


A Arena das Dunas, em Natal, teve um problema antes de sua primeira partida, entre México e Camarões. O Corpo de Bombeiros não conseguiu emitir o alvará para 10 mil assentos temporários e o jogo aconteceu sem o aval do órgão.

Filas e falta de comida

Outro problema relatado por torcedores foram as filas. Seja para entrar no estádio, ir o banheiro ou mesmo para as lanchonetes. Os fãs se queixaram que perderam o início do segundo tempo das partidas, por conta das extensas filas.

A organização também mostrou não atender a demanda no quesito alimentação, e torcedores também reclamaram da falta de comida em jogos no Mineirão (Belo Horizonte), Beira-Rio (Porto Alegre), Castelão (Fortaleza), Maracanã (Rio de Janeiro) e Arena da Amazônia (Manaus).

Bruno Winckler / iG
Torcedores enfrentam filas para almoçar no estádio Mané Garrincha


Por outro lado, a limpeza nos banheiros dos estádios foi elogiada, além dos voluntários, que se mostraram prestativos e bem informados.

Gramados criticados

Já dentro de campo, alguns gramados foram criticados por treinadores e jogadores. Jorge Sampaoli, técnico do Chile, disse que o campo da Arena Corinthians estava ‘deteriorado’. A Arena Fonte Nova, em Salvador, recebeu críticas de Carlos Queiroz, comandante do Irã. No entanto, a Arena das Dunas, em Natal, se mostrou resistente às fortes chuvas que caíram sobre a capital nordestina durante o mundial.

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