Maracanã moderno reabre inacabado e escondendo da imprensa obras por fazer

Torcida vaia governador Sérgio Cabral, Dilma Rousseff e Fernanda Abreu, esta por cantar o hino nacional vestindo a camisa do Vasco. Repórteres tiveram circulação restrita, sob pretexto da visita da presidenta. Tapumes e máquinas mostram que reforma prossegue

Raphael Gomide - iG Rio de Janeiro |

Dois anos e sete meses e R$ 859 milhões de reais depois de sua última partida, o Maracanã reabriu as portas neste sábado inacabado tendo um jogo amistoso de ex-jogadores como evento-teste, para cerca de 27 mil pessoas, um terço da capacidade do novo complexo. Por trás de imensos tapumes de 4 metros de altura, terra revirada, sacos de lixo, máquinas que continuarão a trabalhar e muitas obras ainda por fazer. A imprensa teve a circulação completamente restrita a uma área dentro do estádio.

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Do lado de dentro, ao menos na parte aberta à imprensa, viu-se um estádio moderno, bonito e mais confortável que o antigo gigante, agora com 78.838 lugares disponíveis. A visão do campo é muito mais próxima, as cadeiras retráteis são mais práticas, os quatro telões fazem o campo parecer menor, os bares e banheiros são mais amplos e agradáveis. No entorno do estádio, porém, há dezenas de escavadeiras esperando amanhã, pilhas de pedras de até 5 metros e muros a serem construídos. A tribuna da imprensa ainda está só no cimento, sem assentos.

O governo do Estado, a prefeitura e o consórcio que faz as obras montaram uma megaoperação para conseguir realizar o jogo deste sábado, entre “amigos de Ronaldo” e “amigos de Bebeto”. A prefeitura interditou toda a área do Maracanã por seis horas – entre as 16h e as 22h, provocando trânsito na região; havia forte policiamento, inclusive com cavalaria, e grande contingente de bombeiros, guardas municipais e agentes de trânsito. Até o secretário municipal de Conservação, Carlos Osório, pôs a mão na massa, ajudando na entrada de carros a um portão do estádio.

A operação conjunta previu até forte restrição de movimentos da imprensa. Nenhum carro de reportagem foi autorizado na área. Todas as equipes deveriam ir em vans oferecidas pelo evento, a partir do Sambódromo. Uma vez dentro do Maracanã, eram impedidas de sair, sob pena de não poder voltar. Após subir de elevador, a equipe do iG – que fazia no corredor, do alto, filmagem da parte em obras – foi instada a entrar imediatamente na área de imprensa por uma recepcionista e por uma assessora de imprensa do governo do Estado. Outros jornalistas foram impedidos de deixar a área por seguranças em outros momentos. Dentro dessa área, atendimento VIP, com canapés e refrigerantes.

Wagner Meier/Agif/Gazeta Press
Washington comemora primeiro gol na reabertura do Maracanã

Conforme aviso da assessoria de imprensa do evento, os repórteres não poderiam circular pelo estádio, supostamente por conta da segurança da presidenta Dilma Rousseff, que foi ao estádio ao lado do governador Sérgio Cabral. Ao aparecerem no telão, houve uma breve vaia, muito inferior e menos traumática do que aquela dirigida ao ex-presidente Lula, no mesmo local, durante os Jogos Pan-Americanos de 2007. 

Dois manifestantes conseguiram entrar com uma faixa que criticava o regime de concessão do Maracanã à iniciativa privada e a destruição do Parque Aquático Julio Delamare e do estádio de atletismo Célio de Barros, que integram o complexo esportivo. 

Mais tarde, a torcida – de maioria flamenguista – também vaiaria longamente a cantora Fernanda Abreu, mesmo ao entoar o hino nacional, vestindo a camisa do Vasco da Gama. Depois, cantariam ainda Eduardo Dusek (Botafogo), Ivan Lins (Fluminense) e Sandra de Sá (Flamengo).

O público, principalmente formado por operários que atuaram na construção, suas famílias e convidados de autoridades, levou algum tempo para se empolgar, mesmo estimulado por animadores profissionais contratados para o espetáculo.

Entretanto, logo se apropriaria de seu espaço e se ouvia ecoar pelo estádio um “Meeeengo! Meeengo!”, seguido de outros cânticos, como “Aha, Uhu, o Maraca é nosso! Aha Uhu, o Maraca é nosso!” Próximo ao horário do jogo, os torcedores se entusiasmaram ao ouvir Neguinho da Beija-Flor cantar em playback o tradicional “Domingo, eu vou ao Maracanã”, antes de Naldo sacudir a arquibancada.

No gramado novo e à distância aparentemente impecável – a imprensa não teve acesso ao campo –, o jogo começou morno. Coube ao ex-atacante Washington, do time de Bebeto, marcar o primeiro gol do novo Maracanã, e ele ajoelhou-se e beijou a grama. Por fim, a equipe de Ronaldo assumiu o controle da partida e venceu por 8 a 5, com dois gols do Fenômeno.

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